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Confusões de um ser

A primeira queda de bicicleta, a primeira ida ao Cristo. De repente tudo se acaba. "Vai, eu estou te segurando", e quando olha, estás sozinho. O medo por não ter quem segure faz com que ele caia. Quando é apenas uma criança é fácil lidar com tudo. São só brincadeiras, descobrimentos, e despreocupação. Criança cresceu, o neófito tornou-se adulto. "O que fazer?", perguntou ele. A vida é uma eterna caixinha de surpresas, a caixa de pandora, o que lá dentro têm? Vamos partir para o lado filosófico, o que é o real (mundo)? Se são tantos questionamentos sem respostas, qual o mal de estar sem a sua resposta de vida?

Ele caiu a primeira vez! Machucou, carrega cicatrizes. Cicatrizes que às vezes quer maquear por toda sua vida, e por outras, guardar ainda em sua carne, viva, presente. Caminhou, andou, seguiu. Onde foi parar? Não se tem a resposta. Mais uma vez, perdido nas perguntas do tempo. Saiu, encontrou no caminho várias estradas. "Se for por ali e não gostar, eu posso voltar?", se questionou, assim como um jovem, de vinte e tantos anos, que escolhe fazer medicina, mas depois sente a queda pelo direito.

"O que é, o que é (...)", o ser das coisas sempre questionado desde quando era pequeno, e quando cresce, percebe que nunca questionou-se o que é seu ser. "Vamos brincar de roda?". É, sua vida fica andando em círculos. Círculos viciosos de amizade, de comportamento, de quase tudo. Mas o que seria esse tudo? Será que tudo abrange sua vida por completo, ou quase nada? Porquê tantas interrogativas na vida? Ele tentou usar o ponto.

Caso não fosse aquele dia, caso não fosse neste ultimo, o que aconteceria? É melhor esquecer de vez as interrogações e deixar a vida seguir, porém com as respostas ajudariam um pouco. Duas estradas. Na que vai caminho a sua direita, uma criança sorri. Ainda não sabe o sexo, mas consegue vizualizar a beleza do sorriso daquele pequeno ser, que parece até levantar os braços em direção a ele. Em outra, a que encontra-se na esquerda, não há uma criança, mas a vida também é bela, assim como o sorriso da criança que está na outra estrada. Nas duas encontram-se buracos, nas duas encontram-se problemas, nas duas encontra-se felicidade, porém, mesmo tão parecidas, são completamente diferentes.
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Mundo lúdico


“São asas”, pensou.
Naquela tarde o infortúnio aconteceu. Como aquelas mãos pareciam maternas, como tudo era de trazer medo e desejo. A falta de ar perdurou, e ao cair da noite, ela tinha outro significado. Não dia de fogueira, mas fogo tinha por todo lado. Aumentou, cresceu, sentiu. Até causar o incêndio dentro de ti, e esperar um tempo para tudo aquilo se consumar, mostrar que poderia continuar. Conversar não era seu forte, não tinha um rumo, nem sul e muito menos norte. Palavras massageavam o peito quente e com um nó no coração, que desatava a cada dia. E num quarto o amor nasceu. Estava solto. As suas mãos percorrendo o corpo, a descobrir. No beijo revelou o que queria, e que nada que existisse poderia lhe interessar. Curou suas feridas, aquelas trazidas desde muito tempo atrás. Seu mundo lúdico envolvente, como de uma criança, não carente, mexeu com sua vida assim do nada. Escondido nos lençóis, o guardou como um bebê em uma incubadora. Realmente eram asas, ou melhor, era o anjo que vinha e o protegia, o único que em sua vida faltava. 
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Somos Sete

Eu sempre fui recatado em relação aos meus pudores. O desejo se fazia presente, fixado em minha carne, porém o medo me deixava prisioneiro, parado, somente a observar todos aqueles que participavam da vida que me sentia excluído. Aquela bendita, bendito, arrancará tudo de mim, inclusive à visão pura de um mundo libertino, deixando se perder entre sombra, blush, rimel, batom, e desejos carnais, o que um dia foi marcante. Você acredita? Também não. Chamam-me de luxúria, o prazer pulsa ao me chamarem de luxúria. Nenhuma crença me convence, acredito naquilo que sinto, ou melhor, no que vejo pelo espelho. Aliás, acho que quebrei uma unha! Deixa de ser vaidoso? Não sou vaidoso, quer dizer, só sou o necessário para você me admirar e não me tirar da sua cabeça, nessa fixação em me ter na sua cama.
Nunca precisei de ninguém para me fazer ter prazer, não sou dependente. Falaram que eu sou invejoso, mas nem ligo, às vezes dizem coisa pior. Meu orgulho vem em primeiro lugar e se eu quiser você agora, eu pago! Quanto custa, diga? Dinheiro não é problema. Mas concorde que tem que ser um valor justo, nem sempre o produto é valido. Setecentos? No máximo quatrocentos. Tenho de sobra, mas minha avareza não faz desperdiçar nada. Até que você não é tão bobinho quanto pensava, sabe negociar. Mas esperteza demais me causa raiva. Cuidado com o que diz, criança. Ou vai acabar despertando minha ira. Quinhentos e não se fala mais nisso. Hummm, é grande? Você não sabe o tamanho da minha gula. Mas disso conversamos depois, agora a preguiça toma conta de mim e quando isso acontece, acabou a conversa.
Antes de ir, guarda com você. Mas lembre-se que eu sou apenas aquilo que se encontra em você, naquela mulher sentada num bar, naquele homem que trabalha durante a madrugada. O pecado que aflora seus sonhos. Um ser humano, dividido em sete.
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Números ordinários

O primeiro veio trazendo o mundo, depois que trouxe, se quebrou. O segundo, em um segundo, abandonou o que conquistou. O terceiro veio posseiro, mas, enfim, sem posses ficou. O quarto deu-me um abraço e em seguida se encostou. O quinto foi sorrateiro e de mim nada ganhou. E quando não mais queria, o sexto apareceu, me roubou tudo que tinha, depois de um beijo que ele me deu. Me levou pra sua cama, me fez amar, tirou meu ar. Porém em seguida foi-se embora, para nunca retornar.
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Vestígios de natais e mais

Incrível perceber como minha vida foi pontuada com registros deixados pelo natal. Noite reunida com a família, onde durava até o raiar do dia. Crianças acordadas no máximo até as 4h, pois o sono não as deixava com que até mais tarde elas ficassem acordadas, apenas eu, o mais irrequieto, que só apagava com os “soninhos” dados por mamãe. Sim, fui criança, todos passaram por isso, e eu conseguia ficar acordado bem mais tempo, às vezes era o ultimo a dormir. Noites em Minas Gerais, quase que cada ano em uma casa diferente. Meus avôs mudavam de casa como quem troca de roupas. Minha cunhada mineira era quem mais me agradava, dançava forró junto de mim até o dia nascer, e com ela ao meu lado vinha meu tio, doido pra ir pro quarto, puxando minha orelha. Acreditei em Papai Noel até os treze anos e quando fui descobrir a verdade, nela não quis acreditar, e mesmo sendo meu pai, danei a chorar. Morávamos no Rio de Janeiro, eu, meus pais e meu irmão, como sempre, mas Minas Gerais tinha marcas dos melhores natais em família. Minha casa aqui também registrou fatos importantes dessa passagem de minha vida. Há quatro anos que nos mudamos, eu e minha família (Pai, Mãe e Irmão), para onde moramos hoje. Há quatro anos, marcas da minha infância não se encontravam nesta casa. Nunca havia tido uma árvore representativa ao natal, devido à briga familiar no primeiro ano, ao falecimento do meu tio no segundo, ao falecimento do meu avô no terceiro, e no quarto nem se quer um vestígio de algum enfeite natalino. Hoje, deparei-me ao entrar em casa, uma árvore montada na sala. Sim, chorei.

Desligando

Deixei que a tristeza me abatesse em seus intermináveis minutos. O envolvimento era de tal forma que faria tudo para não perder-te. Porém percebi que tenho que deixar os rumos seguirem naturalmente. O telefone toca.
- “Sim, já sabia pelo tom de voz, pelo jeito da conversa e pela forma de sua expressão”, pensei. Aliás, parece loucura como mesmo não vendo, o coração nos mostra o que se passa.
O telefone desliga. Um sinal de fraqueza é demonstrado. A cor já não era a mesma, os calafrios não eram intensos, as folhas estavam quase secas. “Quando piso em folhas secas caídas de uma mangueira” ♫. Desesperar-me não irá adiantar. Dizer que não ligo, seria uma mentira, que tentaria me convencer e, mesmo assim, não iria adiantar. O que restava eram as folhas que não secaram e tomavam seu destino ao vento. Onde era o destino? Só você poderá decifrar.
“Cambio, desligando”.
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Po-po-poker face

Tenho muitos anos de pista
Isso é o que sempre diz
Além de ser sempre o único
Ou o melhor, no mínimo.

Você diz: fique comigo.
Não sou ingênuo.
O prazer de conquistar
É difícil recusar.

Porém a mim,
Você não consegue enganar
Sei bem no que acreditar
Não sou uma criança indefesa

Leio sua cara de blefe
Mesmo a distancia
Você lê minha cara de blefe?
Be careful, poker face.
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Música lenta

Seus corpos mais uma vez encontravam-se em perfeita sintonia e harmonia. As mãos dele percorriam sua barriga de maneira que deixava seu corpo completamente arrepiado. Ele a beijava no canto dos seus lábios, dominando-a. As mãos dela arranhavam suas costas descendo e apertando fortemente sua cintura. Que tal uma música lenta em um quarto 'pegando fogo'?
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Novo dia

Cansei de falar fique comigo, cansei de esperar que voltasse na manha seguinte, ou que pelo menos desse boa noite. Cansei de todas as desculpas. Cansei de ser o proximo, de ser o segundo, de ser apenas um na sua agenda. Cansei de esperar o dia em que o erro fosse reconhecido, quando o reconhecimento nunca vinha. Agora durmo, não a sua espera, e sim de um novo dia.
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Tentativa

Sempre dizendo que era a única. Que me renderia a suas paixões e me conquistaria, nem que de tudo tivesse que tentar. Sendo somente seu. A partir daí iniciamos um jogo de sedução, querida. Onde estão seus poderes de conquista?

Minha mãe sempre disse, nunca machuque um coração, principalmente de uma mulher. Mas eu não sou o único, você é. Colocou a faca no meu pescoço e me intimou para a roleta russa. Ela não é a mesma coisa sem uma arma, amor.

Qual sua próxima jogada? Estou à espera.
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Esperei por bastante tempo

Os dias passavam como se não tivessem mais importância, ou significado. O que mais se sentia falta era da noite de caricias de um dia semanal. Os risos e as descontrações, provenientes dela, entraram de férias indeterminadas, diferente das férias escolares, ou dos períodos na graduação, onde a volta está determinada. Será que sente falta das mãos percorrendo o seu corpo quente? Dos arrepios intensos nas madrugadas frias? Das páginas escritas em ambas as vidas? Tudo já não era mais, para mim, compreensivo. A falta de sua presença ao meu lado na cama trazia-me uma angustia incontrolável. Às vezes meus pensamentos me dizem que esta angustia não era por sua causa. Era por causa de sentir falta de algo parecido, não importando a pessoa. A questão de amar e ser amado. Sim, realmente era isso. A falta disso e não de quem. Os olhos finalmente saíram de uma direção e encontraram um novo caminho, onde se encontra o que falta.

- “Esperei por você há bastante tempo”
- “Sempre estive ao seu lado, mas você não reparava”
- “Acho que meus olhos estavam no caminho errado, e eu saindo com pessoas erradas”
- “É preciso sair com pessoas erradas para quando vir a certa dar valor!”

Esperei por você a bastante tempo, e agora estás em casa.
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É tão facil


Nós estamos sujeitos a erros, aliás, somos seres humanos. Fomos feitos com defeitos. Sempre foi tão fácil criticar, julgar, quando não se trata de nós mesmos. Olhar com um ar de reprovação para o próximo. Julgar que o diferente do seu certo, de sua ideologia, seja a coisa errada. Dizer, apenas dizer, que ela não fez a coisa certa, e o que fez foi prejudicial a um grupo. Depois quem paga com a língua é aquele que quando teve a oportunidade de se expressar e em vez de tentar entender, criticou, julgou. Hoje, quem faz o que era errado é você, e quem sai como certo? Se ambos fizeram as mesmas coisas, porém em tempos diferentes. Julgue, critique e jogue suas pedras, mas só quando tens a certeza que não fez algo igual no passado ou que não fará no futuro.

Refúgio

No meio de tanta alegria, a tristeza me abateu pelos seus intermináveis minutos. Toda a felicidade que em mim transbordava evoluiu para uma angústia que não conseguia definir do que ela se tratava. Fui para meu refúgio, meu quarto. Lugar que quando não queria que ninguém soubesse me refugiava para chorar. Onde já dei as melhores risadas da minha vida solo. Onde encontro o meu piano e sou levado a minha infância pela bela canção que toco, “A whole new world – Alladin”. Vendo passos da minha trajetória de vida, tendências vividas e amores acabados. Perdendo-me na bagunça que sempre se encontra. Nos milhares de livros jogados ao chão, das poesias entulhadas na gaveta, das fotos, algumas rasgadas ou amassadas, e nos papéis em branco, alguns deles com inícios de frases intermináveis. Dentro desse refúgio privado, me deparei olhando seu retrato. Quanto tempo se passou desde nossas brigas e discussões juvenis. Três anos sem nenhum tipo de contato. E quando quase me perdia no meu passado, escutei umas batidas na porta, suaves. Sua foto caiu na bagunça interminável do meu quarto e Christine me chamou para sair daquela solidão. A porta foi fechada, mas até a noite sou obrigado a retornar. A não ser que ela me seqüestre novamente para o refúgio dos braços dela, e deles não me deixe mais abandonar.
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A história de cinema virou filme em preto e branco

Cada pessoa que passa na vida da outra é importante. Por mais que tenha sido apenas alguns segundos, ou que nem tenha sido notada. A vida passa tão rápida, que às vezes não percebemos que a pessoa que hoje está ao nosso lado, como amigo, companheiro ou até namorado, um dia passou e nem se quer foi notado.
Por isso nunca desperdice os encontros do acaso!
Alguns desses encontros podem resultar em várias decepções. Mas o que seria da nossa vida se tudo que acontecesse fosse somente acerto. Qual seria a graça de dar a volta por cima e fazer diferente na próxima vez, ou ao menos fazer a escolha diferente.
Até o erro, com o tempo, passa a não ser um desperdício!
Rasgar cartas para poder esquecer? Por quê? Quanto mais importância se der a isso, mais se sentirão glorificados com a sua depressão. Aprenda a viver feliz e pegue as histórias de cinema, jogue-as fora. Ou apenas deixem na sua gaveta empoeirada, detalhes de uma vida  que não te traz saudades nenhuma.
Não se preocupar, nem em aparentar que não está preocupado, pois isso é sinal de preocupação!
Mentiras são contadas todos os dias. Se pergunte, não fique achando que essa sua duvida de "por que isso existe" é inútil. O mundo não é feito de respostas e sim de perguntas (duvidas). Mas quando não vale a pena se perguntar, nem pense na possibilidade.
Às vezes a resposta já esta na sua cara e a pergunta continua a insistir!
Pare e analise se aquilo que te faz infeliz é realmente bom. A meu ver, nada que me faz infeliz é bom para mim. Esqueça, tenho certeza que outras coisas melhores virão. Às vezes o único trabalho que se tem para o que tanto se espera chegar é olhar e prestar atenção no que está ao lado. E quando você esta completamente feliz com sua descoberta, olha-se para trás e percebe que quem tentava te fazer infeliz, hoje é quem não tem felicidade.
Por isso de valor a quem realmente é importante para si e que com você se importa.

Lendo blogs

Ultimamente, lendo “blogs” de amigos e alguns outros, encontrei um post de 14 de maio de 2010. Olhei o “blog” do meu trabalho e também havia uma matéria minha publicada no mesmo dia. Vendo isso, pensei em uma história e comecei a escrevê-la:

“Certo homem há muito tempo atrás, achou que o melhor meio de crescer na vida era a partir de meios que nem ele acreditava que pudesse fazer, não pelo fato de não ter como, e sim por não ter a coragem. Então, ele, meio desanimado com tudo, resolveu fazer mesmo assim. Entregou um amigo, de longas datas, a polícia, um de seus piores inimigos. Ele foi torturado como um ser sem vida, como algo que não tivesse coração. Ele foi igualado aos piores bandidos que já puderam estar presente na terra, aos estrupadores, aos pedófilos. Perante todo o seu sofrimento, a única coisa que lhe restava, era entregar-se. Ele desistiu da própria vida. Ele não era um marginal, um estrupador e nem ao menos um pedófilo. O único erro daquele pobre mortal foi confiar sua amizade na pessoa errada. Ele morreu e depois, após saber de sua morte, o homem a quem o falecido confiará à amizade ficou arrependido do que fez, mesmo após ter crescido na vida e conseguido obter o que tanto queria. Seu nome era Judas, e o único erro que ele cometeu em sua vida, foi ter se intrometido na vida de Cristo.”

O mal é as pessoas começarem a se intrometer na sua vida sem ao menos encontrar uma caixinha escrita: “Deixe aqui sua sugestão!”.
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Regresso - I Parte


Seu coração saltava pela boca. Os olhos dele fixaram apenas em uma direção e tudo a sua volta já não era mais visível. Aquela casa com seu exterior completamente pintado de azul e o portão de cor branca acelerava seus passos e penetrava em seus olhos. Já se encontrava parado em frente ao portão e com o dedo ao botão do interfone. Os motivos que o levaram até ali eram uma incógnita profunda, não se sabia ao certo quais as suas intenções naquela casa, que nunca entrará. Como já era previsto, o botão foi apertado. Uma linda voz feminina perguntando quem era, soava por aquela pequena caixa tecnológica e acinzentada.
- Sou eu, Miguel.
Um silêncio inquietante surgiu após sua identificação e naquela pequena caixa já não se ouvia mais nada, apenas uma impressão de que a pessoa que atendeu ao interfone, não gostou ou se surpreendeu ao ouvir a voz e o nome dito.
- Camila?! É você? Por favor, responda.
- Um minuto Miguel. Estou descendo.
Apenas 47 segundos foram demorados para Camila descer do segundo andar, onde se encontrava ao atender o interfone, e estar ao encontro de Miguel no portão. Para ele era como se a eternidade durasse menos que aqueles míseros segundos. Miguel não tinha nenhum porte atlético. Não malhava, não praticava exercícios. Porém seu corpo era completamente proporcional e definido. Para as pessoas que não o conhecesse, achariam que freqüentava alguma academia de seu bairro. Ele vestia uma bermuda azul turquesa, levemente estampada com uma cor branca, acompanhado de uma camiseta branca, não muito apertada, porém que destacava uma das partes de mais beleza em seu corpo, seus braços. Não musculosos, mas que guardava com bastante carinho quem ali deitasse ou estivesse à procura de um abrigo. Por sua vez, Camila era completamente cuidadosa com seu corpo. Não passava um dia sem dedicar seus preciosos 60 minutos ou mais na academia. Alta, branca e com longos cabelos emplumados que despertavam a cobiça e a inquietação de quem o olhasse. O tom loiro era um caso à parte, pareciam se ouriçar toda vez que o sol os tocava, dando a sensação de que ele era muito mais claro que o normal. Sua beleza, não somente a exterior, transbordava completamente por qualquer lugar que passasse. Arrastava intensos olhares masculinos de admiração, além de muitos femininos, com uma determinada inveja a seu respeito. Sempre cuidadosa consigo, tinha uma pele macia, como se ao passar a mão em seus braços, estivesse tocando em puro veludo. Miguel, já não se recordava do quanto macia era sua pele, já havia passado três anos desde sua partida. Lembrava claramente aquele dia 20 de junho de 2005. Nunca se esquecerá da face calma e tranqüila de Camila. Ao partir, ela repousava sobre o sofá da sala, como uma menina que dorme tranqüila após o ninar de seu pai. Após a distância, este súbito encontro o deixava gélido. Suas mãos suavam de maneira que deixava umedecido o papel que estava em suas mãos, aliás, única coisa que se encontrava com ele naquele momento. Mesmo sempre carregando uma fiel mochila nas costas a qualquer lugar que fosse. Neste dia, abandonará. O choque deste encontro era visível nos 48 segundos, quando já estavam um de frente ao outro. Miguel não conseguiu dizer uma palavra, observava minuciosamente à roupa que Camila vestia. Uma das coisas que ele sempre trouxe na sua bagagem de adjetivos era ser observador. Camila estava tão casual que ele não reconhecerá a não ser pelo seu inconfundível sorriso. Ela vestia uma bermuda da colcci, um jeans claro e com aspecto velho, seguida por uma regata da pitanga na sua melhor cor branca, que realçava os seus seios de forma que Miguel nunca havia visto. ‘Como ela esta diferente!’, concluía em seu pensamento. Toda sua analise que estava sendo feita, foi completamente cortada por Camila quando ela perguntou o que ele queria.
- Só passei para poder ver se você realmente morava aqui, também para saber se estás bem!
- Depois desses anos, você me pergunta isso?! O que se passou foi que tentei esquecer para não sofrer.
- Você me desculpa? Não peço que volte para mim, somente que me perdoe. Isto, eu escrevi hoje. Pegue é para você.
Ela segurou o papel que se encontrava um pouco amassado, aparentando que ele havia desistido de entregar e tivesse amassado, porém depois voltado atrás e sem tempo não havia passado para um novo. Lendo a carta em pensamento, tentou conter a lagrima que escorria sobre sua linda face, mas não conseguiu.
- De onde surgem estas tais inspirações que parecem saltar de sua mente para uma folha de papel, loucas para serem registradas, de onde?
- (...) Não sei bem ao certo que coisa seria essa, mas não foi algo material. É como se um vento tivesse soprado no meu ouvido e as palavras foram sendo escritas a cada letra que ouvia.

Um silêncio tomou conta dos dois e o frio de uma tarde de inverno em São Paulo começava a se aproximar.
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Definição do quem sou


Se um dia tentarem me definir, irão chegar a uma conclusão que com meus olhos não conseguirei enxergar. Nunca fui um exemplo de ser humano e nem chegarei aos pés disso. Para ser mais sincero, nunca me fiz esta pergunta. Acho que quando penso em “Jefferson Loyola”, a única coisa que me vem na minha cabeça é o meu próprio ego que nunca é ferido nem pela maior e pior estaca. Quando começo a analisar mais afundo quem realmente sou, não chego a uma conclusão exata do que poderia ser a resposta desta pergunta. Sou uma pluralidade de sentimentos completamente aguçados a 30 vezes mais que o normal, pode ser que essa chegue perto de uma definição de quem sou, mas mesmo assim, ainda não completa todo o meu sentido de existência.
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Desencontro

 
Olho a cada instante sua foto retratada na tela do meu computador. Tento entender a cada momento, este detalhe que a vida me reservou. Um encontro marcado e um desencontro estando ao seu lado. Vamos voar querido? Estou aqui para aplacar toda a sua carência e dar-lhe todo o meu carinho. Beba do meu prazer, sacie-se do meu desejo. Passarei ao seu lado e nestes segundos você não será despercebido. O destino para muitos pode ser feito por acasos, para mim, é feito de desencontros. A vontade de encontrar é muito maior quando se é marcado e ao mesmo tempo perdido. Não por encontros do acaso, e sim aqueles que recebem uma dose a mais de êxtase e surpresa, por ter falho de primeira e melhor ainda quando é falho na segunda. Vamos ver o que acontece na terceira? É nesta parte que o encontro se torna caloroso ao ponto de poder levar-te para cama ou boas doses de preliminares para um ‘quarto’, quem sabe? Venha não fique mais sem rumo. A sua espera, a minha espera. Depende somente de você. Hoje amor, sou seu. Amanha me esqueças. Pois o tempo passa, o mundo entra em uma rotação leve, mas mesmo que para muitos seja imperceptível, sinto na pele a mudança, o clima, aquele vento, mostrando-me um novo rumo. Amor se quer algo seguro não me espere. A única segurança que terás de mim é que amanha partirei. Pergunta se eu voltarei? Quem sabe depois desses 364 dias e mais umas 6 horas. O destino é incerto. Marque e desencontre. Não chores querido, partirei. A cada cidade que passo, se deixo um coração partido, dela um pedaço levarei. Não pense, sinta. Deixe este amor te corromper e quando não tiveres tripa para ser diluída, esqueça. Eu sempre levarei uma parte de cada, formando a minha história. E estes detalhes vão, lentamente, me fugindo a memória.

Rasgos, rabiscos e retalhos.

Saia. A porta sempre esteve aberta, pois quando entrou não fez questão de fechar. Agora saia, e quando for não esqueça dela fechar. Trancar.
Perca de tempo, quando estava por ao menos gostar, mais ainda, quando comecei a me apaixonar. Por favor, saia. Para nunca retornar.
Deixe-me sozinho com meus sentimentos, que só, consigo em mim confiar. Contorne, revire e tente ter o que acabou de desperdiçar. Saia.
Não ouvirei nenhum de seus prantos, nem aos piores me importarei. Lágrimas, minhas não suas, já foram derramadas demais. Suma.

Palavras ditas jogadas ao vento. Mentiras, enganos, erros e medo. Recordar, nem isso vale a pena. Nada é real o suficiente. Saia.
Caminho já trilhado no asfalto. Sem companhia, rumo e amor. Deixo pra você isso tudo. Detalhes que a vida lhe reservou. Chore.
Parecer certo, porém sendo errado. Já me cansei de tantos significados. Todos já não me passam de palavras ao vento. Caiu no esquecimento.
Relacionamentos, namoros, mentiras, ciúmes, paixão e depressão. Rabiscos de uma vida passada, página rasgada, amassada, virada. Caia.

Caia o império, vida longa ao novo Rei. Até que ele também caia e saia.
Caia o muro visível e que venha o futuro, para separar sem reparar.
Caia as gêmeas das nuvens, onde maior a altura, maior a queda.
Caia Hitler, Caia. Já percebe a sua falha, onde para sua volta, não mais o aguarda.

Hoje, já não me importa. Mas você não pode dizer a mesma coisa.
Hoje, tu és quem chora. Se chorar, também não me importa.
Hoje, eu sou quem dança, brinca e encanta. Irradiando a esperança.
Hoje, tu és quem se arrepende, no conceito de quem entende que quem cala consenti.
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Ilusão

Ele parou e olhou diretamente para a face daquele homem. Estava vestido com uma bermuda azul e uma blusa estampada. Via os mais belos olhos negros cor de azeviche que já havia visto e um rosto que embora não lhe chama-se atenção, seu interior e suas atitudes o incomodava. Incomodar no melhor sentido positivo possível. Até hoje não consegue-se entender por que aquele homem lhe chamou tanta atenção. Sabia-se que a única beleza que encontrava naquele pobre mortal, era a interior, de fato o verbo no passado completa e preenche o sentido original da frase. Ar, terra, água e fogo, definitivamente fogo era o que sentiu de inicio, mas não foi capaz de ver essa definição quando ainda era só semente. Raiz cresceu, planta brotou, seca chegou e tudo acabou. Hoje quem está livre de passar por uma ilusão? Certamente ninguém. Passar sim, sofrer nunca. Ele aprendeu ao longo de sua vida que as pessoas são completamente substituíveis.
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